O regime e a revolução
A morte de Otelo Saraiva de Carvalho provocou uma reação social não menos livre de consequências políticas. A direita e a esquerda digladiaram-se no seu torneio de lutos, organizações terroristas e espadeiradas, como se fossem panfletos e não vidas humanas que a ação de Otelo houvesse refeito ou desfeito. O regime, à semelhança do que acontecera com Marcelino da Mata, refugiou-se num cortês equilibrismo de boas-vontades. Luto nacional, não. Presença no velório, sim. Palavras de simpatia, evidentemente. Mas bola para a frente se fizerem favor, que as polémicas quotidianas sempre são de clivagem mais cómoda do que as pontuais, ainda que significativas, controvérsias oriundas da História.